
Quando Isabel tinha 16 anos, ela já estava decidindo o seu projeto de vida. Mas foi em uma exposição que ela encontrou o significado desse projeto, uma exposição fotográfica que, segundo ela, era tão profunda, tão perto do drama humano da terra, do “ser” ser humano, que não tinha como não notar.
Naquela época, ela não tinha uma máquina para criar o seu projeto de vida, era muito caro. Por isso, tirava foto com as mãos, abrindo e fechando os olhos. Na sua cabeça, um acervo enorme. Até juntou dinheiro para poder mostrar o acervo da sua cabeça por aí, mas era na época da ditadura, e uma professora precisava sair do país, comprar um passaporte falso. Deu o dinheiro da cânera para ajudar a professora e tirou mais uma foto da cena, com a mão.
Para a felicidade de muitos jovens que também queriam decidir o seu projeto de vida, Isabel veio para Salvador quando tinha 25 anos. Veio nos mostrar que a “fotografia é tão poderosa quanto o teatro e o cinema”.
E foi aqui que ela começou a se apaixonar pela educação, criando, em 1999, junto com uma equipe de sonhadores, a CIPÓ – Comunicação Interativa.
Entendendo que a inclusão da arte e da cultura é importante na educação de todos, foi criado o projeto “Design Popular da Bahia”.
Os alunos do projeto realizaram uma pesquisa com diversos profissionais populares, letrista, lambe-lambe, carrinhos de café, vendedores de picolé etc. Todo esse trabalhou resultou em uma exposição de arte e um produto educativo, com o objetivo de gerar oportunidades para aqueles jovens que não participaram do projeto.
Segundo Isabel, quando o jovem chega para trabalhar com eles, existe a dificuldade de aceitar o lugar onde vive, não há valorização do que está em volta. Depois da pesquisa, eles descobriram que carrinho de café também é cultura. Começaram a valorizar não só onde eles estavam, mas quem estava em volta.
Se você só quer ver problema, você vai ficar deprimido, pirado, diz Isabel.
E pergunta, no final: por que no Brasil educação e cultura não estão ligadas?
Essa resposta todos nós gostaríamos de saber.
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Paulista que virou baiana por opção, Isabel Gouvêa começou sua trajetória com uma paixão – a fotografia. Assumiu o ato de fotografar como a busca de um testemunho sensível e do registro dos temas que lhe eram caros. Isabel Gouvêa usa sua paixão pela fotografia como uma arma pela valorização das expressões culturais e pela luta por uma sociedade mais justa e igualitária. Na ONG Cipó-Comunicação Interativa – onde coordena de arte e tecnologia- busca, através da formação em comunicação e arte, a conquista de efetivas oportunidades de desenvolvimento para jovens de comunidades populares de Salvador.
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